Entrevista: Carol Fortunato

Saudações literárias, queridos Livreadores. Tudo bem com vocês? Espero que todos estejam bem. Vamos com uma super entrevista? Nossa autora parceira, Carol Fortunato contou tudo e um pouco mais da sua vida e carreira literária. Vamos para o post? 
 01 – Carol, qual foi o seu primeiro contato com a literatura? 

Quando criança, eu lia bastante gibis e contos de fada. Minha mãe também me incentivava a ler alguns livros infantis que eu adorava, como A Ilha Perdida e O Fantasma no Porão. Mas o primeiro livro mais “adulto” que eu li foi Amanhecer, da saga Crepúsculo, com 13 ou 14 anos. 

02- Sua família foi uma forte inspiração em lhe apresentar o maravilhoso universo dos livros? 

Minha mãe, sempre respeitando a vontade e o tempo das pessoas, procurou me incentivar. Meu pai já não tem essa cultura, então ele nunca procurou transmitir algo que nunca teve significado na vida dele e de seu meio social. Só que ele lê bastante a bíblia, faz umas análises muito boas e sempre nos contou as histórias de lá. Então, nesse sentido, posso dizer que ele me incentivou também. 

 03 – Quando surgiu o momento de escrever seu primeiro livro, sempre sonhou em ser escritora? 

Eu escrevo desde sempre. Assim que aprendi a escrever, comecei a criar meus contos de fadas. Depois gibis, revistas, novelas, uma história que não acabava nunca... Eu quis ser cartunista durante toda minha infância. E foi aos 14 anos que eu percebi que o que eu mais queria de verdade era ser escritora. Foi o momento em que fui me tornando uma leitora ávida e dei início aos meus primeiros livros. 

 04 – Quais são os seus top 5 autores? 

Machado de Assis, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Dan Brown e Ana Miranda. 

 05 – Você possui alguma mania de escritora? 

Talvez sentar em lugares inapropriados e observar incansavelmente as pessoas e o espaço ao redor. Ter sempre comigo algum material para que eu possa registrar meus pensamentos súbitos. E eu não sei mais o que seriam manias de escritores rs. 

06 – Como é sua rotina durante o trabalho, você segue algum “ritual”? 

Eu até tento escrever um pouquinho todo dia quando estou trabalhando em um projeto, mas nem sempre funciona. Eu tenho mesmo é que sentir aquele súbito de ir lá e despejar algo que já não está cabendo só em mim – ou quando meus personagens gritam para que suas histórias sejam continuadas ou finalizadas. E muitas vezes eu me preparo para começar a escrever, mas começo a enrolar com as coisas mais estúpidas ao meu redor (é sempre por uma espécie de receio por eu não saber o que vai acontecer, como vou sair desse processo louco que é a escrita). No entanto, depois que eu começo, o mundo pode estar caindo ao meu redor, que eu dificilmente consigo parar. 

07 – Para 2019, quais são os seus planos e projetos literários? 

Tenho alguns planos ousados em relação ao meu primeiro livro, O Lado Real do Abstrato, mas ainda são todos segredos. Pretendo lançar um segundo livro, que não seria uma história ficcional. E, no momento certo, começar a trabalhar com roteiros teatrais e audiovisuais. 

08 – Ouvindo música ou completo silêncio enquanto escreve? 

Depende do nosso estado de espírito, que costuma ser tripolar. Mas geralmente é no silêncio mais absoluto possível (cabem muitas coisas dentro desse aparente silêncio). 

09 – Seus 5 livros favoritos? 

 Memórias Póstumas de Brás Cubas; Macunaíma; Desmundo; A Cidade e as Serras; Vidas Secas. Eu acho. 

10 – Fale um pouco sobre seu livro, do momento da criação até chegar nas mãos dos leitores? 

O Lado Real do Abstrato foi escrito no Ensino Médio, quando eu tinha 16 anos. Foi minha primeira ideia de fato criativa e original. Nessa época da adolescência eu estava passando por fortíssimas questões existenciais (e acreditava que até os 30 eu iria enlouquecer). Não lembro exatamente qual minha visão sobre a humanidade na época, mas eu queria escrever uma história que analisasse uma população completamente oposta à nossa. Então o ambiente da história não pode ser o Planeta Terra. Daí tive que fazer muita pesquisa, pois minha única alternativa era escrever sobre o futuro, quando teoricamente o ser humano terá tecnologia pra explorar outros planetas e talvez descobrir se há vida inteligente por lá. Em O Lado Real do Abstrato eu ainda não estou plenamente amadurecida literariamente (na verdade nunca o estarei), mas certamente é uma das minhas histórias mais empolgantes. É um livro curto, de 70 páginas (bem direto), que toca em temas existenciais com profundidade, ao lado de um ritmo aventureiro. O protagonista, Joaquim, se revoluciona e tem experiências impensáveis nesse outro mundo, junto de uma população que é em si muito “diferentona.” Mas ele é um dos meus personagens para quem até hoje eu peço perdão por ter caído em minhas mãos, logo eu que jamais tenho qualquer controle sobre o poder das histórias que estou ali, sangrando. 

11 – Uma frase para vida? 

Eu ainda não tenho essa frase. E, se algum dia encontrá-la, provavelmente vou tatuar. Mas a frase que eu considero que mais combina comigo, espiritual e racionalmente, é a seguinte de Fernando Pessoa: “O que em mim sente está pensando”. 

12 – Conselhos para aqueles leitores que buscam publicar o seu primeiro livro? 

Nós passamos por várias fases, e às vezes tem aquela de querer publicar um livro, o que é ótimo. Você vai se sentir realizado e feliz por compartilhar sua obra com aqueles que você ama e com quem mais você atingir. Só que às vezes essa fase passa, e então a pessoa quer ir experimentar outras coisas. Mas para aqueles que realmente querem investir nisso profissionalmente, segundo minha visão, é preciso se assumir como o empreendedor de sua própria carreira, ter em mente que os desafios são grandes, mas totalmente possíveis, ser paciente, traçar metas e ser inovador artisticamente bem como no campo de divulgação. É mais ou menos por aí. 

 13- Uma última mensagem para os leitores do Livreando. 

Todos nós somos extremamente ligados em histórias, e às vezes nem nos damos conta. Isso porque elas são a representação da vida real, da vida que sonhamos ou de uma possível vida futura. Então conhecer uma história diferente, seja através de um filme ou livro, nos permite analisar nossa própria história de um ponto mais distante e, portanto, mais amplo; de uma perspectiva diferente. A literatura vale à pena por ser mais um caminho de você entrar em contato consigo mesmo. O grande sabor da vida é a gente se experimentar de todos os modos possíveis, e a literatura é apenas um desses modos. Pois através dela você explora sua imaginação, criatividade, reação frente a várias emoções, descobre diversas coisas sobre si mesmo e desfruta um pouco mais da própria amizade, pois nesse momento é apenas você e a genialidade de sua mente.



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