Resenha: A Senhora de Wildfell Hall

Título Original: The Tenant of Wildfell Hall | Autora: Anne Brontë
Editora: Record | Ano: 2018 | Páginas: 504
Sinopse: Filha mais nova da família Brontë, Anne era irmã de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, e de Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre — livros clássicos e reeditados até hoje. Anne Brontë (1820-1849) desafia as convenções sociais do século XIX neste romance, A senhora de Wildfell Hall. A protagonista da obra quebra os paradigmas de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar a própria vida. Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera especulação e comentários por parte dos vizinhos. O jovem fazendeiro Gilbert Markham, por sua vez, desperta um grande interesse pela moça e, aos poucos, vai criando uma amizade com ela e com seu filho. Porém, os segredos do passado da suposta viúva e seu comportamento arredio impedem que o sentimento nutrido pelos dois se concretize, fazendo com que Gilbert tenha dúvidas sobre a conduta da moça. Quando a Sra. Graham permite que ele leia seu diário a fim de esclarecer os fantasmas do passado, o rapaz compreende os tormentos enfrentados por aquela mulher e as razões de suas atitudes. Ela narra sua história até então, desde a relação com um marido alcoólatra e de conduta abominável até a decisão de abandonar tudo em nome da proteção do filho.

Gilbert Markham era um fazendo que, embora não gostasse da profissão, se contentava em ter uma forma digna de viver ao lado da mãe e dos irmãos. Seus dias não tinham grandes atribulações, além das corriqueiras. Pelo menos até uma dama misteriosa aparecer em seu condado e atiçar fofocas da sua região, Helen Graham. Ela era a misteriosa nova inquilina de Wildfell Hall, que chegou sem fazer qualquer alarde, aumentando ainda mais a curiosidade e imaginação do povo.

No início, o encontro entre Gilbert e Helen não aconteceu de maneira agradável. Ele por achá-la uma mulher orgulhosa e ela por achá-lo atrevido, acabaram não se conhecendo realmente. Mas tinha um elo bem forte nessa relação, o pequeno Arthur, filho de Helen, que se encantou pelo cachorro do sr. Markham. Essa amizade aproximaria Gilbert da mulher que insistia em atormentar seus pensamentos.

Ao decorrer dos dias Gilbert vai quebrando as defesas de Helen (principalmente por ser querido de Arthur), e vai se encantando cada vez mais pela mulher que ela demonstra ser, mas as fofocas das cidades estão cada vez mais mesquinhas, fazendo com que Gilbert fique preocupado em defender a sua honra.

"Ansiava por saber o que deveria desprezar e o que deveria admirar nela, até que ponto deveria sentir piedade e até que ponto deveria sentir ódio; e, acima de tudo, precisava saber a verdade." p.131

Em uma das suas visitas a Wildfell Hall, Gilbert pressiona Helen para saber a verdade sobre sua estadia ali e após um grande mal-entendido, ela decide que era hora de deixá-lo avançar mais uma porta. Com o diário de Helen em mãos, Gilbert nos mostra todos as consequências que Helen teve que enfrentar por suas escolhas. Ao ter um casamento inconsequente, trouxe para si um grande tormento no qual pensaria que pudesse vencer.

Durante alguns momentos chegamos a beira do desespero junto com a personagem, por tamanhos abusos que enfrentara sozinha e calada, pois acha que não deve reclamar para terceiros os lamentos daquilo que trouxe para si, e sempre que pode encontra forças em suas convicções para tentar seguir em frente dia após dia.


A obra é narrada pela visão de Gilbert e pelos relatos de Helen através de suas cartas, onde conta a sua vida antes de chegar Wildfell Hall, por esse motivo, acompanhamos o passado durante boa parte do livro até descobrirmos os reais motivos dela chegar ali.

A Senhora de Wildfell Hall é sem dúvida a consagração de Anne Brontë. Em um tempo onde as mulheres eram completamente ignoradas em suas vontades e direitos, Anne simplesmente deixou uma sociedade machista horrorizada perante sua personagem forte e dona de si.

Claro que Helen teve seus medos e angústias, não é de toda radical, seu sofrimento nos testifica. Até porque, são os primeiros passos a caminho de uma igualdade inexistente da época, por isso, enxergamos o seu dever, mas também enxergamos a sua sabedoria diante de uma sociedade que a rebaixaria somente por não gostar de alguns de seus posicionamentos.

"Então, quando ergui minha alma numa súplica muda e sincera, uma influência divina me fortaleceu por dentro." p.313

O devotismo da personagem imprime completamente a criação de Anne ao lado do pai, e o que aprendera durante esse tempo, trazendo sensatez e o altruísmo por diversas vezes dentro do personagem de Helen.

Não foi à toa a rejeição à obra do grande púbico masculino. Imagine, em plena era vitoriana, uma mulher decidir ir atrás de seu futuro, fugir do marido, levando consigo o filho homem. E ainda, expor para a sociedade sua opinião a respeito dos comportamentos infames dos maridos da época, onde se divertiam com abusos, vícios e traições. É meus caros, é completamente admirável a riqueza dessa obra e de seus significados.

Dessa forma, é impossível não quer indicar essa obra para os nossos leitores, e apesar de não ter tanto incentivo quanto "Jane Eyre" e "O Morro dos Ventos Uivantes", é uma das obras mais questionadoras dos clássicos da época e merece ser interpretado ao máximo.

📘 Essa resenha faz parte do nosso DLL de Julho.
✔ Categoria: um livro com mais de 500 páginas.

Bjim e até a próxima!


17 comentários

  1. Tudo bem? Estou querendo ler esse livro faz um tempo.
    Sua resenha me deixou com ainda mais aviltante.
    Vou tentar incluir na pilha.
    Beijos.


    www.alempaginas.com

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  2. É um livro que já me foi recomendado várias vezes, mas sempre vou adiando e passando outras leituras na frente. Achei a proposta bem interessante <3 E fiquei com vontade de conhecer melhor a personagem e esse romance <3

    Sai da Minha Lente

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  3. Olá! Menina, eu já tinha visto a capa do livro, mas até então eu não conhecia sua sinopse e nem tinha lido nenhuma resenha sobre. Adorei conhecer mais da história e estou muito ansiosa para conhecer essa obra! Nossa, já estou encantada depois de ler sua resenha!

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  4. Não conhecia este livro, mas fiquei com muita vontade de ler ele depois da resenha. Vou adicionar a minha whislist

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  5. Eu ainda não conhecia o livro, mas já fiquei curiosa com a leitura. Achei a capa muito bonita e a premissa me agradou bastante. Adorei a tua resenha.

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  6. Já li esse livro e imagino mesmo o quando as verdades retratadas no livro podem ter incomodado os machistas da época. Gostei muito dessa história e dos personagens, a protagonista foi bem forte.

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  7. Eu não conhecia o livro e já fiquei apaixonada ao ver a capa. A premissa me deixou bastante curiosa em realizar a leitura e a tua resenha ficou ótima, super completa, parabéns!
    Já anotei na minha lista de desejados.

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  8. Oiiii,

    Eu já tinha lido uma resenha sobre este livro é ficado bem curiosa, porque é um clássico e me faz pensar em como a autora teve de enfrentar tudo isto naquela época. A primeira barreira já era uma mulher escrevendo em um mundo onde está só servia para cuidar da casa e do marido, então com certeza uma mulher que escreve sobre outra mulher que é forte o suficiente para lutar contra o domínio dos homens, com toda a certeza é algo que vale a pena. Eu fico imaginando como foi polêmico para a época, uma obra em que a mulher foge do marido com o herdeiro, e que expõe todas as falhas masculinas que era aceitas e algumas eram consideradas até direito dos homens. Com toda certeza é uma dica que está super anotada e que eu pretendo ler o quanto antes.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com

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  9. Oi, Tammy!
    Nossa, eu fiquei bem interessada em ler esse livro justamente por ele ser narrado na visão do Gilbert, o que é bem raro em romances assim.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  10. Que edição mais linda, eu não conhecia mas estou completamente apaixonada já! Estou entrando agora no mundo das irmãs Brontë e confesso que muita coisa nelas tem me fascinado, principalmente a maneira que desafiavam os costumes de sua época, é algo bastante otimista e que certamente contribuiu para um movimento de novas escritoras.

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  11. Oiiiii♡
    Que capa mais lindaaaaa!
    Não sabia que a emily brontë tinha uma irmã, fiquei surpresa.
    A história me parece bem interessante, personagens mulheres fortes que quebram os paradigmas e provocam a sociedade da época, me deixam bem interessada.
    Com certeza vou adicionar a lista de leitura!
    Beijos - anne and cia

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  12. Olá!
    Conheço pouco esse universo mais clássico das protagonistas fortes e que tanto inspiram esses romances históricos.
    A capa é muito linda e o enredo parece realmente bem inspirador com pontos que vale a pena parar pra refletir.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  13. Ola!

    Não conhecia essa obra apesar de ela ser um classico de certa forma. Achei a proposta da premissa completamente diferente de tudo o que encontramos por ai e isso que me chamou a atenção de verdade. Não é muito do meu estilo ler esse tipo de livro, não consigo me aprofundar nos clássicos, mas adorei a sua resenha e fiquei bem curiosa.

    beijos
    Mayara

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  14. Adoro personagens fortes e que superam todas as expectativas e que até mesmo chocam. nunca li esse livro, mas com sua resenha fiquei bastante interessada.

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  15. Oi, tudo bem?
    Atualmente tenho querido sair de minha zona de conforto e, como não tenho o hábito de ler clássicos, acho que é uma ótima oportunidade. Uma coisa que gosto em livros dessa época é que eles têm uma história por trás de tudo, né? Uma autora que se rebelou num momento que todos se submetiam a tudo.
    A Helen parece ser uma personagem que vai me encantar demais e vou super anotar a dica.
    Amei sua resenha!
    Beijos

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  16. Oie!
    Você acredita que até hoje não li nada dela? Tentei uma vez Morro dos Ventos Uivantes mas nao consegui seguir com a leitura muito arrastada! Mas, adorei sua resenha desse livro e estou seriamente pensando em dar mais uma chance as Brontë e ler este, onde a história me chamou bastante atenção!

    Ótima resenha!

    Beijos
    Carol
    www.thereviewbooks.com.br

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  17. Oi

    Não conhecia esse livro da Anne, nunca li nada da autora, mas já li da irmã e eu adorei. Tenho muita vontade der outros livros das irmãs Brontë, mas ainda não tive a chabce. Esse agora vai para a lista de futuras leituras junto com outros livros.

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