Crônicas de Domingo: Negar-se a si mesmo



Negue-se a si mesmo! Eis a sentença! Crescemos com a visão cristã que essa frase nos remete. Fomos ensinados de que o objetivo dessa frase, é nos ensinar a renunciar a tudo, para seguir as pegadas de Cristo.

Porém, esses dias (durante uma conversa de almas entre amigas), comecei a me questionar sobre aquilo que sou e aquilo que não sou, sobre aquilo que tenho e aquilo que não tenho. Como posso negar o que não sei se tenho? Ou como posso excluir de mim algo, que nem sei se faz parte do meu ser? Portanto, me dei conta que esse processo de negar-se começa por se conhecer. Meu objetivo não é fazer nenhuma pregação ou estudo bíblico, muito menos te tornar cristão, ou discutir religião. Mas sim, trazer a reflexão, um movimento natural e necessário de vida, em que temos o privilégio de sermos guiados por, uma simples frase cheia de diretrizes para nos tornarmos melhor.

Seguindo esse raciocínio, quanto e quanto tempo de nossas vidas, passamos correndo atrás daquilo que não temos, ou nos lamentando por tudo o que não somos? ... Às vezes, a vida toda! E porque não dizer além da vida?! Com certeza, já ouviu ou leu em algum lugar, a respeito de alguém que morreu tentando ser ou ter algo inatingível a tempo, ou alguém que ficou conhecido, pelo seu triste fracasso de não chegar ao “topo”.

Pois é! Foi pensando nisso, que essa tão famosa frase, nasceu em mim com um sentido novo. O “Negue-se a si mesmo” pra mim, é um convite para negarmos tudo aquilo que não somos! Sim! Negarmos o fato de termos que ser e ter algo pré-definido, negarmos o peso de não poder ser feliz com aquilo que temos. Negarmos, o fardo, se temos que ser totalmente insaciáveis! Negarmos de fazer parte desse ciclo vicioso e doentio, que faz de cada um de nós rivais e não mais irmãos! E de tanto pensar, também te convido a pegar essa contramão desse curso, e fazer esse movimento de negação, um caminho a aceitação. Fazer do seu “não”, acolhimento! É conhecer-te a ti mesmo, e quando “tomar a sua cruz”, ela não seja um fardo de dores que terá que arrastar por toda vida, porque não foi “suficiente” bom! Mas fazendo dela, uma junção de tudo o que você foi e fez de bom.

Pois na vida, é preciso de muita coragem e imensa força, para diariamente carregar sobre seus ombros a dádiva de ser plenamente bom em tudo aquilo em que se pode ser nesses breves momentos em que aqui caminhamos. Mariane Helena


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