Resenha: Como Dizer Adeus em Robô

Título: How to Say Goodbey in Robot | Autor: Natalie Standiford 
 Páginas: 344 | Editora: Galera Record | Ano: 2013 | Gênero: Young Adult

Sinopse: Com Um toque melancólico, o livro conta a singular ligação entre Bea e Jonah. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente - mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender... Uma amizade que vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rádio, fértil em teorias de conspiração. Para todos que algum dia entraram no maravilhoso, traiçoeiro, ardente e significativo mundo de uma amizade verdadeira, do amor visceral, “Como dizer adeus em robô” vai ressoar profunda e duradouramente.

Olá leitores queridos!!! Espero que estejam todos bem!

Sabe aqueles livros que te dão vontade de jogar na parede e de abraçar ao mesmo tempo? Aquele tipo que em todo o processo de leitura você vive na linha tênue do amor e ódio? Então, o livro que eu vou resenhar para vocês hoje me fez sentir assim. Eu li ele a uns dois anos e ainda não decidi se eu amo ou não. Da para amar e odiar um livro ao mesmo tempo?

Estou tão perdida nos meus conflitos internos que não falei qual livro ainda, bom, é o Como Dizer Adeus em Robô da autora Natalie Standiford. O livro todo é bem calmo e em metáforas. A autora não trabalhou muito no desenvolvimento da historia – o que te faz querer arrancar cabeças - mas, ela trabalhou bem no emocional do seu leitor. A narrativa é gostosa e flui, ela soube balancear os momentos inconstantes dos personagens em um texto agridoce.

Esse livro, apesar de ser um YA, trabalha o interior das pessoas. Ele trás mistério e dúvida dentro de uma ideia simples. Nele você encontrar uma adolescente comum dentro de uma família e vida nada comum. Os pais de Bea da para perceber que não batem bem das ideias, seus amigos a mesma coisa. Jonah é um ser super enigmático, o que se torna um charme para o personagem ao mesmo tempo que te faz querer arrancar os cabelos da cabeça. E, mesmo com isso, Natalie criou dois personagens semelhantes em personalidade que se dão super bem. Eles tem uma relação complexa e isso chama a atenção do leitor, que consegue perceber que eles não estão apaixonados um pelo outro, mas que sentem algo.

— Por que está com tanto ciúme? — perguntei. — Não é como se você fosse meu namorado nem nada. Você é?
— ”Namorado” é uma palavra tão idiota — falou Jonah. — Não, não sou seu namorado. Achei que estávamos muito além disso. O que somos não pode ser descrito por palavras triviais como “namorado” e “namorada”. Até mesmo “amigos” não chega nem perto de descrever.

Por falar em Jonah, ele é o personagem que foi melhor construído. Tudo nele desperta um interesse que te faz querer desvenda-lo - só que não conseguimos. Ele é um mistério o que o torna adorável e frustrante. E eu acho que é isso que me deixou tão revoltada sobre o livro, porque eu esperava mais do Jonah, da Bea também, mas, principalmente dele. Todo o enredo dele e ambíguo e isso ao invés de trabalhar a seu favor acabou indo contra o personagem e o deixando a desejar. Você termina o livro sem conhecer ele, como se ele realmente fosse um 'Fantasma".

Já Bea é uma contradição, você não sabe se gosta ou não dela. Ela é uma garota sensível só que não demonstra – por causa disso é chamada de robô pela mãe  - e nisso todos dizem que a coitada não tem coração e chega um momento que ela acredita nisso. Só que ela também não se impõem, não toma uma atitude e deixa que as pessoas façam com ela o que bem entender. Então você fica naquela de ficar com pena ou não dela, porque sabe que ela é uma adolescente e que isso é comum nessa idade, mas também sabe que isso vai da personalidade de cada qual - a segunda opção é a mais provável no caso da Bea.

"Talvez eu seja um robô, pensei. Será? Bati na minha barriga. Não fez barulho do jeito que a barriga de um robô deveria fazer. Longe disso. Mas isso presumia que um robô é sempre feito de lata ou aço ou algum metal barulhento. A essa altura, eu achava, os cientistas deviam ter inventado um material para robôs que parecesse ou soasse mais como carne humana. Ou pelo menos não fizesse barulho."

Uma coisa que te deixa um pouco confuso na hora de assimilar as ideias no livro é a idade dos personagens. Eles tem 16 anos, mas não parece. Aquela narrativa é definitivamente de uma garota de 11/12 anos, o que faz muitos acreditarem que esse é um livro infanto juvenil e não Young Adult.

Sobre o final do livro é o que me deixou mais frustrada, com vontade de taca-lo longe. Ficou tudo muito aberto, todas as respostas que você achava que iria encontrar ali não vieram, na verdade veio outra grande pergunta. Depois de todo esse tempo, cheguei a conclusão que era essa a ideia da autora sobre o livro e sobre os personagens. Como eu disse, é um livro cheio de metáforas e de perguntas sem respostas. Tudo muito vago e discutível que faz você ter um enorme "POR QUE?" ao final. Te faz parar e refletir sobre tudo aquilo pra tentar encontrar as respostas das perguntas que foram deixadas no ar. Não é um livro com grandes reviravoltas, não. Mas ele com certeza é um livro que te faz pensar e quebrar a cabeça em tudo que esta escondido nas entrelinhas.

"Eu me sentia mais só sem ele agora do que já me sentira antes de conhecê-lo. Minha vida estava com uma lacuna."

Bom, agora vou finalizar falando que mesmo esse sendo, na minha opinião, um livro cheio de defeitos, não consigo não gostar. Eu mudaria algumas coisas nele? Sim, com certeza. Mas, ele trás algo que vale apena, que é todo o conflito, que não está no livro mas, sim em você. Em 344 páginas você vai do amor à raiva muito fácil, e para mim isso é legal. Como Dizer Adeus em Robô é um livro rico e diferente, sei que nem todos vão gostar – talvez detestem. Não é um livro pra se recomendar há qualquer um, pois aborda assuntos polêmicos e a autora trata deles de maneira não convencional. Mas se você é desses que gostam de drama e de brigas internas, vai fundo. Só não espere muita ação dele, pois não tem. Mas ele carrega muitos ensinamentos que dá pra guardar pra vida toda.

"A arte perdeu significado. Tudo perdeu. Ele está incompleto e nunca mais poderá ser inteiro."

Espero que tenham gostado da resenha mesmo tendo sido, talvez, um pouco vaga e confusa, pois agora acabando de escreve-la é assim que me sinto. Deixem a opinião de vocês sobre o livro aí em baixo, adoraria saber como foi para aqueles que leram.

Um grande abraço.



17 comentários

  1. Que livro mais amorzinho menina, fiquei apaixonada e espero ter a oportunidade de ler com toda certeza, além do mais sei que seria uma ótima pedida para mim, pois acabei de ler um livro de terror.
    Beijinhos da Morgs!

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  2. Olá,
    Confesso que é a segunda resenha que leio da obra e ambas destacam o mesmos pontos negativos, o que me deixa bem triste porque a premissa me agrada bastante.
    Não gosto de finais abertos! Sei que muitas vezes podem significar uma brecha para possível continuação, mas odeio quando as respostas não nos são apresentadas para diversos questionamentos no decorrer da obra.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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    1. Olá.
      Isso me incomodou bastante durante a leitura, coloquei expectativas achando que no final ia ter respostas, mas elas não vieram.
      Bjus

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  3. Que livrinho fofo. As amizades verdadeiras são raras ultimamente, amei conhecer a história de Bea e Jonah. Não curto muito o YA, mas acho que muitos dos meus alunos vão amar conhecer o livro.
    Bjoo

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    1. Oi!
      A amizade é um ponto forte nesse livro e é o que torna ele bem fofo. Acho que seus alunos vão gostar também.
      Bjus

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  4. Nossa! Parece ser o tipo de livro que você sorri e chora ao mesmo tempo kkkk Gostei da premissa do livro. Parece interessante.

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  5. Ele é livro único? Não gosto muito quando os finais ficam tão abertos assim, com inúmeras perguntas e pontas soltas.
    Bjs

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    1. Oi,
      É volume único. E bem ruim mesmo.
      Bjus

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  6. Oii!

    Fiquei em dúvida se daria uma chance ao livro ou não hahaha Fiquei bem curiosa para sentir esse turbilhão de emoções. Vou anotar, quem sabe um dia dê vontade de ler haha

    Adorei a resenha! Beijo
    Lê e ler

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    1. Olá,
      Se for ler, prepare-se para essas emoções.
      Obrigada
      Bjus

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  7. Oi
    O enredo do livro parece bem convidativo para quem aprecia o estilo, infelizmente, não curto Young Adult, então, dessa vez, deixo a dia passar.

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  8. Oi, Suene! Não conhecia o livro, mas parece uma leitura bem leve, daquelas para tirar ressaca literária. Dica anotada!

    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.vom.br

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  9. olha, eu até curto finais em aberto, o que não me atraiu pra esse livro foi a premissa como um todo mesmo... não curto YA, mesmo que ele pareça ser infantojuvenil...
    bjs...

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  10. Para falar a verdade gosto de livros no estilo YA, recentemente li o livro: O presente do meu grande amor, amei, então esse livro tb amaria não tenho duvidas!Me parece ser um turbilhão de emoções e sentimentos!
    Participe também do sorteio que está rolando no meu blog!
    http://coisasdeanalima.blogspot.com.br/2016/12/sorteio-do-livro-uma-curva-no-tempo.html
    Bjs!!!
    Coisas de Ana!

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  11. Oie Suene!
    Ainda não tive muita vontade de ler esse livro e, pelo que vi na sua resenha, você ficou com muita vontade de tacar o livro longe!! hahauahuah
    Eu adoro YA, mas não me importo de ler infanto juvenis, mas se a autora diz que os personagens tem 16 anos e eles agem como se tivessem 11 ou 12 anos, com certeza absoluta eu ficaria com muita raiva hauhauha
    Confesso que ainda não vou pegar o livro pra ler e obrigada por essa resenha tão verdadeira!
    Beijos

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