Resenha: Libertada

Título Original: Finding Me
Autora: Michelle Knight
Editora: Fontanar
Ano: 2014
Páginas: 192
Sinopse: Michelle Knight foi raptada em 2002 por um motorista de ônibus escolar de Cleveland chamado Ariel Castro. Por mais de uma década, ela sofreu torturas inimagináveis nas mãos de seu sequestrador. Em 2003, Amanda Berry juntou-se a ela no cativeiro, seguida por Gina DeJesus em 2004. A fuga das três, em 6 de maio de 2013, foi notícia ao redor do mundo. Milhões de pessoas comovidas agora se perguntam: o que realmente aconteceu naquela casa, e como Michelle encontrou forças para sobreviver? Mal saída de sua própria infância problemática, Michelle estava afastada da família e lutando para reaver a guarda do filho quando desapareceu. A polícia acreditava que ela havia fugido, por isso retirou seu nome da lista de pessoas desaparecidas 15 meses após o seu sumiço. Castro a atormentava com isso, lembrando que ninguém procurava por ela, que o mundo lá fora a esquecera. Mas Michelle não se deixava abater. Comovente, chocante, e por fim triunfante, Libertada revela os detalhes da história de Michelle, incluindo os pensamentos e orações que a ajudaram a encontrar coragem para suportar suas inimagináveis circunstâncias e construir, a partir de agora, uma vida que valha a pena ser vivida. Ao compartilhar seu passado e seus esforços para criar um futuro, Michelle se torna a voz dos que não têm voz, e um poderoso símbolo de esperança para milhares de crianças e jovens que desaparecem todo ano.


Quem se lembra do sequestro de Cleveland, que ganhou os noticiários mundiais em 2013, onde 3 mulheres conseguiram sair do cativeiro depois de mais de 10 anos sendo torturadas? Esse fato faz parte da história de Michelle Knight, que nos apresenta através do seu livro como foi o dia a dia enfrentado dentro do inferno que Ariel Castro montou.
"Lágrimas sempre escorrendo do meu rosto, esperando que isto termine logo e que alguém venha me salvar, mas parece que isto nunca vai ter fim. Não entendo como alguém pode ser tão sem coração." p.123
Michelle era uma jovem de 21 anos quando foi sequestrada, mas a sua tortura já havia começado antes mesmo de aceitar a carona de Ariel Castro. Mãe de um garoto de 2 anos, perdeu a guarda do seu filho depois que o namorado de sua mãe fraturou a perna de Joey em um momento de fúria. Se não bastasse isso, viveu anos sendo abusada por um de seus familiares durante anos, sem contar a ninguém, por medo de morrer. Mesmo passando por tudo isso, nada se compararia com o que estava prestes a enfrentar a partir do dia 23 de agosto de 2002.

Os relatos descritos por Michelle mostram o quão sádico foi seu sequestrador e o quanto ela foi forte por conseguir passar por tudo o que passou. Temos uma visão mais aprofundada dos acontecimentos e momentos de completa revolta por tudo o que teve que passar. Dias sem comer, meses sem tomar banho, confinada e acorrentada em um lugar completamente imundo, sendo estuprada e torturada quase que diariamente.
"Uma coisa é alguém partir o seu coração; pode ser ainda mais doloroso ficar olhando o coração de outra pessoa ser esmagado. Durante todo o tempo que divivi o quarto com Gina, meu coração foi partindo ao meio de tantas maneiras diferentes que seria impossível contá-las. Acho que nunca vou conseguir superar o que nós duas passamos." p.120
Algumas fotos  do cativeiro.

Ela ficou sozinha vivendo esse terror por aproximadamente 2 anos, depois chegaram Amanda Berry e Gina DeJesus, e ainda assim, Ariel sentia prazer em lhe castigar mais do que as outras. Durante o cárcere, engravidou cerca de cinco vezes, e em todas elas sofreu abusos e torturas que levaram a cada aborto. Depois de anos nesse inferno, é até compreensivo que se perca a esperança ou atente contra a própria vida, mas ao contrário disso, Michelle e suas companheiras nunca deixaram de acreditar que um dia isso iria acabar e que a liberdade chegaria.
"Sobreviverei a este pesadelo horrível com meu coração ainda no lugar, minha alma intacta, e sairei dele sem uma só cicatriz." p.127
Durante a leitura, é preciso ter nervos de aço em alguns momentos, entrar na história e vivenciar todos os acontecimentos não é tão fácil assim, Michelle relata o máximo que pode e pausa quando as memórias ficam dolorosas demais, mas é forte o suficiente para seguir contando a sua visão dos acontecimentos. Com vários textos reflexivos e totalmente comoventes, Libertada além de uma biografia, traz a luta pela esperança e pela vontade de viver e mostra a superação onde todos pensam ser impossível.

Assim como Michelle Knight, as outras duas sobreviventes também irão relatar suas histórias. Está previsto para o dia 28 de abril deste ano nos EUA, o lançamento do livro intitulado "Hope: A Memoir of Survival in Cleveland", onde Amanda Berry e Gina DeJesus contam uma parte do que viveram em seu livro de memorias.




Um comentário

  1. Nossa, que livro tenso.
    Eu lembro quando li o 3.096, da Nathasha Kampusch, que é também uma história real de um caso parecido, precisei ter estômago forte, quase me acabei de chorar com a crueldade.
    Não sabia que essas mulheres haviam escrito livros.
    Até tenho interesse de ler, mas preciso me preparar muito psicologicamente.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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