Os doze igualitários

Olá, pessoal. Sou o Ailson, um dos novos integrantes do Blog Livreando. Meu propósito aqui é mostrar a vocês um pouco do meu trabalho: a escrita, de modo especial nos gêneros conto e crônica. Estou super feliz com essa parceria e espero que vocês gostem dos meus textos. Espero vê-los sempre por aqui. E não deixem de comentar também. Vamos ao primeiro?

Os doze igualitários

   

     Éramos praticamente todos iguais. Por dentro. Do lado de fora, diferenciávamos por um tom mais claro ou escuro. Alguns eram preferidos e queridinhos. Outros não. Eu, por exemplo, tinha uma longínqua vida. Mas era deprimido que só. Quase não tinha importância, era descartado, deixado de lado e muitas vezes nem chegava a ser utilizado. Solitário. Não tinha culpa por ser assim. Dava-me bem com todos os outros, criávamos perfeitas combinações. Com os outros. Sozinho? Não. O preto era meu melhor amigo. Juntos, éramos apelidados de café com leite, arroz com feijão, o bem e o mal. Criávamos um contraste e chamávamos a atenção. E era assim também com o azul, o verde e o vermelho.

     Certa vez decidi que não iria ficar submisso e que todas as vezes que os demais saíssem para passear, iria junto. Ah, se iria. Faria de tudo pra ser notado. Rolaria na mesa, cairia no chão, se sujaria. Não, nem tanto. Não perderia minha personalidade pra ficar à mostra dos outros. Mas, quem eram os outros? Aqueles que muitas vezes nem ligavam pro meu companheirismo e só precisavam de mim pra deixar tudo mais claro. Era triste. Era triste saber que perdi muitos amigos enquanto eu continuava aqui, intacto. Sim, claro, ganhei muitos outros. Quando os velhos partiam, misturavam-me aos novos. E sempre foi assim.

     Até que um dia, tudo mudou. Era uma triste manhã de segunda-feira. Todos eles, os outros onze, juntaram-se ao meu redor e disseram que haviam descoberto uma nova brincadeira. Eu, como de costume, ficaria de fora, apenas observando. Ficaram todos lado a lado e começaram a girar. Girar e rodar rapidamente. Cada vez mais rapidamente. Meu coração então passou a bater mais rápido. Eu estava me vendo. Minha imagem estava espelhada na figura de meus amigos. Todos juntos, em perfeita sincronia, me fizeram acreditar que a união de todos eles resultaria em algo parecido a mim.

     Daquele dia em diante não mais permaneci sozinho. Estava sempre acompanhado de algum deles, os outros onze. E, agora, eu estava feliz. Não que eu nunca tenha sido. Mas o que realmente importa não é a cor que temos e sim o que fazemos fora de nossas caixas.




4 comentários

  1. Muito bonita a sua metáfora! Ninguém deve ser julgado por sua cor!

    Beijão, www.opinada.com

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    1. Olá, Augusta. Obrigado pelo comentário, viu? Fico feliz que a mensagem do texto tenha sido interpretada e a reflexão surtido o efeito esperado. Volte sempre, viu? Super beijo.

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  2. Respostas
    1. Olá, amiga linda. Obrigado pelo comentário. Apareça sempre por aqui, ta? Beijão.

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