Resenha: Pequenas Epifanias

Olá leitores!
Tudo bem? Lendo muito?

Bom, dessa vou fazer diferente, não vou bem resenhar, na verdade vou falar sobre um livro que gostei muito e que, sim, é um livro de crônicas! Bom, não sei se todo mundo gosta de crônicas, mas é um gênero com o qual me identifico muito e vez ou outra gosto de escrever crônicas também. Mas, mesmo gostando, eu nunca havia comprado um livro de crônicas, eu sempre lia em revistas, jornais e na internet mesmo. Mas esse livro eu decidi comprar por ser do meu cronista favorito, um autor que eu admiro muito e que infelizmente virou mais uma dessas "modinhas" na internet. Mas independente disso, seu trabalho têm sido muito divulgado nos últimos tempos e então resolvi falar sobre este livro que na verdade foi publicado depois de sua morte reunindo crônicas escritas por ele e publicadas em jornais ao longo de sua carreira. Vamos conferir?


Título: Pequenas Epifanias
Autor: Caio Fernando Abreu
Editora: Agir
Páginas: 205
Ano: 2006


Sinopse: Epifania é a expressão religiosa empregada para designar uma manifestação divina. Por extensão, é o perceber súbito e imediato de uma realidade essencial, uma espécie de iluminação. As crônicas escritas por Caio Fernando Abreu retêm essa qualidade, levam o leitor a enxergar, como num clarão, verdades bem escondidas. Este livro apresenta uma seleção dessas epifanias.

Bom, ler Caio é sempre perfeito, aconchegante. A forma como ele escreve, o jeito como ele transforma o evento cotidiano mais simples em algo grandioso é espetacular. Eu sou uma admiradora do trabalho deste homem que, mesmo no auge de sua doença, mesmo com todos os problemas que enfrentou, não deixou de escrever.

Digo que esse livro valeu todo o esforço para conseguir comprá-lo (o que não foi nada fácil porque não o encontrei em nenhuma livraria, e não tinha estoque em praticamente nenhum site, por não ter sido lançado recentemente). Assim que o peguei  não perdi tempo e o devorei, me saboreei de cada crônica, cada palavrinha corretamente utilizada por este sábio que infelizmente não está mais entre nós.

O livro é todo composto por crônicas que o autor escreveu para jornais ao longo de sua vida, essas crônicas falam de eventos cotidianos, coisas simples, mas também falam de assuntos mais fortes como a morte e o amor. São crônicas pequenas, duas ou três páginas no máximos, mas que vale a pena ler.
é claro que o livro, como qualquer outro, tem sim suas crônicas meio chatinhas, crônicas que você tem que ler uma, duas, três vezes, para realmente entendê-las. Mas mesmo com seus poucos defeitos o livro é realmente muito bom. E é gostoso porque não é um livro que você precisa ler todo de uma vez, você pode ler aos poucos, uma duas crônicas por dias, se quiser.

E o mais incrível nessas crônicas é a sensação de que o autor compreende a alma do leitor. Em diversas crônicas me deparei com pensamentos do autor muito semelhantes aos meus. Mesmo em contos em que Caio se mostra abatido, triste e confuso em meio ao turbilhão de pensamentos e medos que a descoberta de ser portador do vírus HIV o trouxe, ele consegue lhe passar a paz, o aconchego, o sentimento. Enfim, ele consegue fazer com que você se sinta dentro da crônica, parte dela. E quando ao decorrer do livro você se depara com alguma crônica que te lembram aquela pessoa especial e que tudo que o autor expressa ali, coincide exatamente com aquilo que você está sentindo, você acaba vendo o Caio como um melhor amigo, aquele amigo que te entende.

Sem contar que não havia título melhor para o livro do que "Pequenas Epifanias", porque, como diz a própria sinopse do livro, epifania é um termo religioso que designa uma manifestação divina, uma iluminação vinda dos céus e é exatamente o que o livro é. As crônicas contidas no livro iluminam nossa mente, nos mostrando que não conseguíamos enxergar em nossas vidas e nos fazendo sentir coisas que não acreditávamos ser capaz de sentir. E como as crônicas são pequeninas, 2 ou 3 páginas no máximo, são verdadeiras pequenas epifanias.

Enquanto lia o livro sempre me vinha na cabeça uma frase de Caio, que li certa vez em um blog: "Eu só queria que alguém me amasse pelo que eu escrevo", e sempre que acabava de ler cada uma das crônicas me vinha a cabeça: "Sim, Caio. A gente te ama pelo que você escreve. Impossível não amar".
Amanhã à meia-noite volto a nascer. Você também. Que seja suave, perfumado nosso parto entre ervas na manjedoura. Que sejamos doces com nossa mãe Gaia, que anda morrendo de morte matada por nós. Façamos um brinde a todas as coisas que o Senhor pôs na Terra para nosso deleite e terror. Brindemos à Vida - talvez seja esse o nome daquele cara, e não o que você imaginou.

Enfim, é um livro e tanto. Então leiam! Sugiro ler uma crônica por dia, porque assim você pode sentir cada uma delas, refletir sobre o que ela diz. Façam uma boa leitura, se deliciem com esse livro porque vale a pena!
Vou ficando por aqui... não se esqueça de comentar.

Beijinhos e até a próxima!


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