Resenha: A Abadia de Northanger

Título Original: Abbey Northanger
Autora: Jane Austen
Editora: Landmark - Edição Bilíngue
Ano: 2012
Páginas: 240
Sinopse: A ABADIA DE NORTHANGER retrata o balneário de Bath, Inglaterra, freqüentado por Jane Austen e sua família, na obra protagonizada por Catherine Morland. Em meio aos passeios e bailes, a jovem conhece outros jovens da cidade, entre eles John Thorpe e Henry Tillney, inseridos no mundo da literatura e da história, revelando assim à ingênua Morland os deleites de grandes romances. O General Tillney, pai de Henry, convida os jovens para uma visita em uma de suas propriedades, a Abadia de Northanger, estadia aceita prontamente pela moça animada com o clima de mistério e conhecimento. Com os delírios da produção gótica, Catherine entra num conflito entre ficção e realidade durante suas experiências literárias e sua estadia na casa, cujo ambiente remete ao antigo, ao sombrio e ao fantástico. A obra transparece toda a habilidade de JANE AUSTEN (16 de Dezembro de 1775 - 28 de Julho de 1817) em criticar socialmente seu tempo por meio de análises morais de seus personagens. Com boa dose de senso de humor, os excessos que beiram o ridículo dos romances góticos são criticados de forma cotidiana e plausível, um feito que, entre inúmeras razões, torna a autora uma das mais importantes e lidas por todo mundo.

Catherine Morland foi criada de maneira livre, não era forçada a fazer o que não tinha vontade e, apesar de muito desatenta com as coisas que aconteciam ao seu redor, tinha um bom coração. Até os 10 anos ela não era considerada uma moça bonita, mas ao chegar aos 15, seus traços mudaram a tornando uma menina encantadora. Ela sempre teve um coração aventureiro, amava históricas heroicas e por isso, aos 17 anos, sua leitura preferida era a gótica. Mas seu coração nunca tinha sentido uma paixão verdadeira, até porque o local onde morava não permitia possibilidade para isso. Sua vida poderia continuar assim, mas uma breve mudança mudaria sua atual situação.

"Mas, quando uma jovem dama é predestinada a ser uma heroína, a perversidade de quarenta famílias ao redor não pode detê-la. Algo deve, e irá, acontecer para lançar um herói em seu caminho." p.9

Catherine vai a Bath acompanhando o sr. e a sra. Allen para o tratamento de gota do sr. Allen. Em Bath, Catherine foi apresentada aos bailes da época e toda a sociedade que estava na cidade. Não demorou muito para conhecer Henry Tilney, um jovem com um humor sagaz e encantador que logo deixou Catherine mais curiosa ao seu respeito, mas também, fez amizades durante a sua ida nos salões, entre elas Isabella Thorpe, uma jovem bem comunicativa e detentora de mais malícia que Catherine. Catherine se encantou pela nova amizade e a cada tempo as duas se encontravam para falar sobre os bailes e sentimentos.

Com a chegada do irmão de Catherine, James Morland, assim como o irmão de sua amiga, John Thorpe em Bath,Catherine não podia imaginar a feição que causaria em John. Ingenua como era, não entendeu as investidas dele e a torcida de sua amiga para que ficassem juntos, afinal, Isabella também estava interessada em James e não via a hora de se tornarem irmãs. Mas Catherine não tinha olhos se não por Henry Tilney, e começou a estudar a possibilidade de ficar mais próxima dele e sua família.

"Ela tremeu, virou-se em sua cama e invejou cada um que dormia tranquilo. A tormenta ainda caía pesada e vários eram os ruídos. Mais terrível ainda era o vento que se chocava intermitentemente em seu ouvido assustado. As próprias cortinas de sua cama pareciam se mover em um momento, e em outro, a tranca da sua porta era agitada, como se alguém tentasse entrar. Murmúrios ocos pareciam crepitar ao longo da galeria e, mais de uma vez, seu sangue gelara com o som de gemidos longínquos." p.92

E foi por essa aproximação que ela chega a conhecer A Abadia de Northanger, convidada pelo general Tilney a passar um tempo em sua casa juntamente com sua filha Eleanor e Henry. Durante a sua estadia na Abadia, Catherine vivenciou os mistérios que encontrava em suas leituras góticas, muitas vezes confundindo o real com a sua imaginação, se viu cada dia mais encantada com o lugar, com os segredos que criará e com Henry. Tudo estava indo bem até um reação sem explicação por parte do general, fazendo Catherine conhecer o real motivo por estar na Abadia de Northanger.


A história traz a sátira pela literatura gótica, leitura que fazia sucesso na época. Mostra também a grande inocência de Catherine e sua incapacidade de reconhecer a índole de alguém e claro, o pensamento recompensador que pode interferir na alegria alheira por uma das partes não possuir libras suficientes por ano. Como sabemos, casamento era sinal de aumento de fortuna, e os meios para tal, foi inteiramente criticado nessa obra. O romance não é aprofundado

A narração é em terceira pessoa e algumas vezes o próprio narrador conversa com o leitor, explicando melhor os acontecimentos caso ainda não esteja claro. A leitura é leve, com pitadas de humor e ironia. A Abadia de Northanger não é um dos meus livros preferidos de Jane Austen, mas ainda assim, é uma boa leitura para quem gosta do gênero.


2 comentários

  1. Esse foi o primeiro livro que comprei da autora para ler, fiquei bastante interessada pela sinopse, porém não conseguir terminar.

    Beijos!
    livrosdawis.blogspot.com.br

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  2. Olá Tammy, quero muito ler algo da Jane Austen, porém não me interessei por esse livro como primeira leitura hehe, provavelmente será um daqueles mais famosinhos.
    Parabens pela resenha, bjs.
    Oficina do Leitor / Facebook

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