Literaturiando: As Irmãs Brontë


Olá livreadores, como estão os preparativos para o fim de ano? Aqui terá muitas novidades, por tanto, não fique de fora. Okay? Hoje o Literaturiando será sobre três irmãs que não viveram muito, mas desenvolveram grandes clássicos da literatura inglesa e escreveram seu nome na história. E você, conhece as irmãs Brontë? Já leu algum livro de uma delas? Aposto que já ouviu falar de O Morro dos Ventos Uivantes, principalmente depois de Bella (Saga Crepúsculo) citá-lo diversas vezes. Mas nem só de O Morro dos Ventos Uivantes vive o legado Brontë, por isso, resolvemos trazer para vocês um especial sobre as suas histórias.

Charlotte, a mais velha das três, nasceu em 1816, e morreu em 1855. Emily, a segunda irmã, nasceu em 1818 e morreu em 1848. E Anne, a mais jovem, nasceu em 1820 e morreu em 1849. Oficialmente, as três morreram vítimas da doença mortal mais comum da época, tuberculose. E as três, juntas, criaram uma das famílias literárias mais famosas de todos os tempos. Filhas de Patrick, um pastor anglicano irlandês, tinham o sobrenome inicial de “Brunty”, no qual trocaram para Brontë por ser um sobrenome menos comum. Depois de passarem por várias paroquias, se estabeleceram em Haworth, Yorkshire, no ano de 1820. Em 1821 a senhora Brontë, Maria Branwell, faleceu e quatro anos mais tarde as duas filhas mais velhas, Maria e Elizabeth faleceram de tuberculose, sobrando só às três irmãs, o irmão, Branwell e o pai Patrick.

"A casa onde as irmãs Brontë moraram com a família, hoje funciona o Brontë Parsonage Museum."

Após o falecimento das irmãs mais velhas, o senhor Brontë resolveu tirá-las da escola e elas passaram a aprender em casa, onde tinham acesso aos livros do pai e aos jornais publicados na época. Ainda novas, as irmãs passaram a escrever histórias como passatempo. Charlotte criou o mundo imaginário de Angria, do qual constam aproximadamente cem histórias, entre os anos de 1829 e 1839. Já Emily e Anne criaram um imaginário próprio, chamado Gondal, no qual escreveram de 1834 até 1845, porém todos estes escritos foram perdidos. Branwell chegou a contribuir com ilustrações os textos de Charlotte, já que era um eximo apreciador da arte e tinha talento para isso. Para custear a educação do irmão, elas resolveram se empregar como professoras e governantas, mas como se setiam infelizes por estarem separadas, resolveram montar uma escola para meninas em Haworth. Charlotte e Emily viajaram para Bruxelas para aprender línguas e administração escolar. Charlotte lecionava inglês e Emily lecionava música, para pagar as despesas e alimentação. Mais tarde o irmão tornou-se alcoólatra, perdendo tudo e terminando doente, culminando em sua morte.

Na Inglaterra vitoriana, era extremamente difícil para uma mulher ser escritora, pois a sociedade da época não permitia a ousadia descrita nas literaturas como escritas por uma mulher, por esse motivo, elas usaram pseudônimos masculinos, Currer, Ellis e Acton e adicionaram o sobrenome Bell, para que suas histórias fossem lidas de maneira livre e sem preconceito. Elas acabaram lançando em 1846 seus poemas e histórias sobre o título “Poems by Currer, Ellis and Acton Bell”, só que os livros foram um fracasso. Tempos depois, com insistência, elas publicaram suas obras que hoje são conhecidas nos quatro cantos. Mas será que foi fácil?

Charlotte foi a primeira que obteve sucesso com Jane Eyre, livro no qual relata sua experiência no orfanato que estudava antes do falecimento das irmãs mais velhas e o seu período como governanta. Devido ao grande sucesso, Charlotte acabou revelando a sua verdadeira identidade assim como a das irmãs. A grande aceitação já estava confirmada, principalmente nas classes inferiores, o fato dela ser uma mulher, por mais que os conservadores quisessem, não faria mais diferença depois da revelação. O sucesso da obra garantia isso. 

Emily Brontë escreveu o famoso O Morro dos Ventos Uivantes, mas não obteve sucesso imediato como o da irmã, consideraram a obra rústica, com personagens cheios de brutalidades e sentimentos duvidosos. Somente tempos depois a obra ganhou notoriedade e foi considerada uma importante obra para a literatura inglesa. O Morro dos Ventos Uivantes traz como plano de fundo a ambientação de Haworth.

Anne Brontë das três é a que tem menos visibilidade, mas não podemos tirar a sua importância. Alguns destacam que Anne é a irmã Brontë esquecida, mas assim como suas outras duas irmãs, conseguiu deixar seu nome gravado através de sua obra. Apesar de primeiramente sua obra A preceptora (Agnes Grey) ser considerada a obra prioritária, foi através de A Moradora de Wildfell Hall que seu nome chegou a ser mais conhecido.



"Você olha à distância e vê alguns telhados de pequenas casas, talvez sejam currais onde se abrigam as ovelhas, e, mais além, vê que as colinas se estendem na distância. E aí, se você tiver sorte, você escuta o vento passando pelas plantas, roçando as colinas, os telhados das casas. O som é inconfundível. Aí, você entende. Elas ainda estão aqui."

Apesar das irmãs terem vivido e desenvolvido seus trabalhos na época do romantismo literário, podemos ver através de Jane Eyre e A Moradora de Wildfell Hall uma visão além de sua época e diferente do seu espaço habitual. Personagens femininos fortes, que não se calavam para expor suas opiniões e eram contra o pensamento de uma mulher ter que esperar pelo seu destino. Presságio? As irmãs Brontë nem imaginariam o quão o mundo estaria evoluído quase dois séculos depois.

Charlotte casou-se com Arthur Bell Nicholls, e segundo muitos intelectuais, ele foi a pessoa que inspirou personagens como ‘Rochester’ e ‘St. John’ em “Jane Eyre”. Ficou grávida pouco depois do casamento e faleceu ao dar a luz ao filho, que também veio a falecer. 

"O Black Bull hoje é um restaurante-bar, que no passado foi o bar onde o único irmão de Charlotte, Emily e Anne ia embebedar-se e onde estragou sua saúde, seu futuro e as esperanças de sua família de tornasse um grande pintor."

CURIOSIDADES
  • Charlotte se apaixonou pelo diretor do internato, Constantin Hèger, que era casado. Essa paixão inspirou os livros “O Professor” e “Villette”;
  • Há um estudo feito por James Tully onde aposta que o marido de Charlotte, Arthur Bell Nicholls tenha envenenado Emily e Anne para embolsar os lucros da obra, tendo Charlotte como cúmplice. Tully acredita ainda que o sr. Nicholls tenha sido o responsável pela morte da própria Charlotte, de seu irmão e do reverendo. Emily e Nicholls teriam tido um caso, e ele a teria estimulado a roubar a idéia da história de "O Morro dos Ventos Uivantes", que na verdade seria do irmão Branwell. Depois, Nicholls teria tratado de eliminar ambos. Ainda segundo Tully, Emily teria ficado grávida de Nicholls, que temia que isso pudesse estragar sua reputação. Para apresentar suas descobertas, Tully escreveu "Os Crimes de Charlotte Brontë" em formato de romance, nos moldes da narrativa celebrizada pelos Brontë.

OBRAS

Charlotte
Jane Eyre (1846)
Villette (1853)
Shirley (1849)
O Professor (1857)
O Segredo & Lily Hart

Anne
A preceptora “Agnes Grey” (1847)
A moradora de Wildfell Hall (1848)

Emily
O Morro dos Ventos Uivantes (1847)

Espero que tenham gostado desse resumão das irmãs Brontë. Quem já leu alguma obra das irmãs? Nos conte o que achou.
Logo, logo traremos o Projeto Leituras Bronteanas, se você quiser entrar nesse mundo e conhecer suas obras por completo, entre nesse projeto conosco. Fiquem ligados!




5 comentários

  1. Adorei o post! Tenho dois livros das Brontës na minha estante, um da Emily que é O Morro dos Ventos Uivante e da Charlotte o Jane Eyre, sempre tive vontade de conhecer a escrita de ambas.

    Beijos!
    livrosdawis.blogspot.com.br

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    1. Oi Wis, essas são excelentes obras, mas uma é completamente diferente da outra. Vale a leitura.
      Bjim!
      Tammy

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  2. Oi, Tâmara! Tudo bem? O único livro que li das irmãs Brontë foi o da Emily, "O Morro dos Ventos Uivantes" e o minha relação com ele é bem complicada, acabei colocando muitas expectativas na histórias que não foram alcançadas :/ Ainda assim, admiro as irmãs por terem feito o que fizeram considerando que na época em que viveram a tolerância com relação as mulheres era bem pequena. Gosto de autoras que desafiaram essa sociedade patriarcal e ainda tenho esperanças de que "Jane Eyre" será o livro que irá me conquistar! Adorei o post (: Bjs
    Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

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    1. Oi Jéssica, O Morro dos Ventos Uivantes é uma obra bem complexa. Não é à toa que dividi opiniões. Eu particularmente me envolvi com a história, já li o livro umas três vezes mas ainda tenho algumas dúvidas. Enfim, ele é como se fosse um livro de estudo pra mim.
      Bjim!
      Tammy

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  3. Amei esse post. Não sabia dessa última curiosidade dos assassinatos. Rsrs

    lendoebebendo.blogspot.com.br

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