Resenha: Convergente

Título Original: Allegiant
Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco
Páginas: 528
Ano: 2014

Sinopse: A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou - destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Portanto, diante da chance de explorar o mundo além dos limites que ela conhecia, Tris não hesita. Talvez, assim, ela e Tobias possam ter uma vida simples e nova juntos, livres de mentiras complicadas, lealdades suspeitas e memórias dolorosas. No entanto, a nova realidade de Tris torna-se ainda mais alarmante do que aquela deixada para trás. Antigas descobertas rapidamente perdem o sentido. Novas verdades explosivas transformam os corações daqueles que ela ama. Então, mais uma vez, Tris é obrigada a compreender as complexidades da natureza humana enquanto convergem sobre ela escolhas impossíveis que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. Narrado sob uma emocionante perspectiva dupla, Convergente conclui de maneira poderosa a série que alcançou o primeiro lugar na lista de bestsellers do New York Times, na qual Veronica Roth revela os segredos do mundo distópico que cativou milhões de leitores com Divergente e Insurgente.

Atenção: contém spoilers do livro anterior.


Chegou a vez do último livro da trilogia Divergente, e para quem já acompanha a série, deve imaginar o que vem pela frente, mas ouso dizer que você não faz ideia do que Roth preparou para o final. Tentei ao máximo me manter afastada de resenhas e comentários para não saber qual era o grande spoiler do livro, e se você tem receio de continuar lendo para também se preservar, fique tranquilo, irei falar somente o necessário. Então vamos lá!




Após ouvirem o que Edith Prior deixou em seu vídeo e saberem que existia algo além das cercas, e que era hora dos Divergentes saírem rumo à ela, o caos foi instalado. Evelyn não perdeu tempo em colocar o seu poder à mostra junto com os sem facções para impedir que isso acontecesse. Ditou novas regras e implantou um novo governo tirano para que ninguém ultrapassasse a cerca. Do outro lado, os Leais (Allegiant, no original), rebeldes que eram contra os ideais de Evelyn e estavam dispostos a derrubarem esse governo e saberem o que realmente existia além da cerca. Em meio a todo esse caos, ainda haviam dúvidas sobre qual era a melhor saída. Ir em busca do desconhecido tendo como informação somente o que Edith Prior disse ou continuar na cidade e tentar controlar a situação. Uma decisão nada fácil.

Um grupo foi escolhido pelos Leais para descobrirem o que acontecia do outro lado de Chicago, entre eles, Christina, Uriah, Tori e claro, Tris e Tobias. A partir daí, é onde a história realmente se desenvolve. Eles não faziam ideia do que existia após a cerca que separa os dois mundos, e a descoberta foi chocante para todos eles. Tris começa a descobrir mais sobre o seu passado, tentando entender até que ponto, tudo o que viveu até ali era real ou somente um jogo de manipulação. Tobias, entra em conflito após saber mais sobre si mesmo e tentar descobrir quem realmente é em meio a tudo o que estava acontecendo. 

"Temia que continuássemos a colidir um contra o outro se ficássemos juntos e que o impacto me quebraria. Mas agora sei que sou uma navalha, e ele é uma pedra de amolar...
Sou forte demais para quebrar com facilidade e me torno melhor, mais afiada, toda vez que o toco." (ROTH, 2014, p.412)

Convergente é narrado pelo ponto de vista de Tris e Tobias, em cada novo capítulo é identificado quem está falando. Os dois têm visões parecidas dos acontecimentos, algumas vezes pensei até que fosse Tris falando, em vez de Quatro, mas é possível perceber o motivo pelo qual cada um está lutando. Os sentimentos entre os dois estão mais claros. Roth colocou mais romantismos entre o casal, há momentos em que o aspecto forte e guerreiro dos dois é colocado de lado e contemplamos cenas com mais ternura e amor. É perceptível o amadurecimentos deles tanto como casal, como individual. Depois de tudo o que viveram e pelo que passaram, apesar de serem jovens, a forma de pensar e o modo de encarar as situações não continuaram da mesma forma, claro que não continuaria.



Ao contrário de Insurgente, Convergente não está centrado em momentos de lutas e batalhas com perdas, não que isso não exista nesse livro, existe, com certeza existe. Mas ele está mais focado em explicar como tudo começou e como chegou até ali. E falando em Convergente, não preciso nem dizer que a escolha dos fãs para o nome do livro não foi certa. O fato de ter um título que combine com o resto da trilogia é o único ponto positivo, não tem nada mais que isso. Convergente não descreve a força de uma revolução como Divergente e Insurgente, no caso do terceiro livro da série, quem descreve perfeitamente essa revolução é a palavra Leais.

Apesar de ter amado o livro, terminei a leitura com algumas dúvidas. Até agora quero entender como funcionava a mente de Tris, porque ela conseguia ser imune a tantos testes. Mas Roth fez um excelente trabalho com os seus personagens e sua escrita realista. De certo modo, todos tiveram a sua importância e marcaram a história, todos lutaram em favor do seu ponto de vista, por isso conseguimos encontrar tantos elementos a serem discutidos como a manipulação, o jogo de poder, mentiras em prol "de um bem maior" ou, até onde podemos acreditar no que nos é imposto. No final, compreendemos que sempre há um motivo por trás de qualquer ato, seja ele heróico ou tirano, sensato ou insano.

"Não devemos acreditar nas coisas só porque melhoram a nossa vida. Devemos acreditar nelas porque são verdadeiras." (ROTH, 2014, p.259)

E sobre o final, só posso dizer que Veronica teve muita coragem para fazer o que fez e compreendo que foi necessário, pelo realismo, que desde Divergente foi característica da autora. Ninguém sai completamente ileso de uma guerra.

Agora, se vale a pena ler o livro? Com certeza! O sucesso da trilogia, nesse caso, não pode ser desmerecido. Convergente fecha com grandes revelações, atos que deixarão o leitor de boca aberta e sem acreditar no que está acontecendo.


Trilogia
O que vocês acharam do livro? Gostaram ou esperavam mais? Deixe nos comentários as suas opiniões. Só tenham cuidado com spoiler, okay? ;)


Bjim, até mais!     

12 comentários

  1. Não li a trilogia e, apesar da curiosidade, não pretendo lê-la - pelo menos não tão logo. Confesso que ando meio (ou totalmente) por fora dessas distopias mais recentes. Nem Jogos Vorazes eu li ainda! Mas não vou mentir: tenho sim curiosidade e até leria. No entanto, se tivesse que escolher, acho que optaria por ler primeiro JV. No momento estou mais na pegada das distopias clássicas; uma das minhas próximas leituras será Admirável Mundo Novo e estou bem empolgada. =)

    Beijo, Livro Lab

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    1. Olá Aline, eu ainda não li Admirável Mundo Novo. Já li JV, mas ainda assim, prefiro a trilogia Divergente.

      Bjim!!!

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  2. Ainda não li a trilogia e estou muito triste por isso. Todos estão falando tão bem e talz... to me sentindo por fora,kkk'
    Minha meta é ler o primeiro livro antes de assistir ao filme, mas provavelmente minha curiosidade vai acabar com esse plano.

    http://vicioseliteratura.blogspot.com.br/
    https://www.facebook.com/vicioseliteratura

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    1. Eu particularmente gostei da trilogia. Tentei fazer isso com A Menina Que Rouba Livros, resumindo, não consegui terminar de ler o livro antes de ver o filme. Espero que vocês tenha mais sorte.

      Bjim!!!

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  3. Preciso confessar que Convergente me decepcionou! Não pelo fato que ocorre no finalzinho (acho que vc sabe do que estou falando) mas pelo livro todo em si! Na verdade eu não sei explicar o que foi que não me agradou, mas achei o final um tanto quanto "broxante" ahahah é a única palavra que consigo pensar. Eu gostei muito do amadurecimento da Tris em relação ao Tobias, como ela o enfrentou e tudo o mais, mas a história de Convergente não teve o mesmo impacto que Divergente e Insurgente. Acho que o final poderia ter sido melhor mas também não sei como. Deu pra ver como fiquei confusa né? ahahaha
    Gostei muito da resenha, tenho lido muitas resenhas de Convergente para ver se consigo sair dessa confusão!

    Beijos
    Débora - Clube das 6
    http://www.clubedas6.com,br

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    1. Te entendo Débora. Acho que pelo fato dos dois primeiros livros da trilogia serem bem dinâmicos, acabamos nos acostumado com esse ritmo. Sentimos uma boa freada por parte da autora, para narrar os acontecimentos, e como você mesmo disse, não teve o mesmo impacto.
      Mas ainda assim, gostei da trilogia como um todo.

      Bjim!

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  4. Tammy!! ^^

    Lembrei que queria ler sua resenha agora... Estou querendo ler Convergente, mas ao mesmo tempo não. Um medinho de saber que tudo vai acabar e que há coisas que não são boas para acontecer... -.-

    Mas amei a resenha e em breve crio coragem para ler *----*

    Beijinho.

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    1. Kkkkkkkkkkkk. May, te entendo completamente. Antes de começar a leitura fiquei pesando os pós e contras, porque tinha ideia do que vinha pela frente. Mas como pode ver, não podia imaginar o que a leitura me reservava. Mas amei!!!

      Bjim!!!

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  5. Eu li Divergente e Insurgente
    agora depois de ter lido sua resenha vou ler Convergente
    eu amo Distopias ,li Adimirável Mundo Novo JV e outros clássicos distopicos
    da literatura e Jogos Vorazes

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    1. Olá Claudio, eu também amo distopias, dos livros que você citou, só li Jogos Vorazes até agora.
      Boa leitura com Convergente, você irá se surpreender.

      Bjim!

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  6. Sou apaixonada por Jogos Vorazes e por isso fui ler Divergente meio desconfiada, tinha medo de ser só uma história parecida. Na verdade fui surpreendida por uma abordagem bem diferente. O grande espaço que a relação da Tris e do Four ocupa no livro faz a história ser muito mais interessante. Fiquei encantada com eles.
    Enquanto não acabei a trilogia me mantive longe de spoilers e acho que foi uma decisão acertada. O final foi... sem palavras... Entendi o que a autora quis fazer, já li outros livros com final semelhante e concordei com a opção do autor, mas nesse caso achei que o que aconteceu foi simplesmente desnecessário!
    Agora é torcer por uma boa adaptação para os cinemas.

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  7. Acabei de ler Insurgente, e logo começarei Convergente. Me bate a ansiedade e o medo do término da trilogia. Mas espero que não me deceocione, e a sua resenha fez com que eu queira ainda mais terminar logo.

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